A subtileza da palavra

Há palavras e palavras umas curam outras ferem. Como transmissores de mensagens provenientes de oráculos devemos ser bastante cuidadosos com a forma como nos expressamos. Todas as verdades devem ser ditas, boas ou más, a forma como o fazemos é crucial para que a mensagem seja clara, não demasiado vaga nem brusca, fria e limitante. Para tal há pequenas subtilizas que podemos utilizar.
Não entregar a mensagem como algo definitivo, incontornável, pois nada o é realmente. Não é nosso papel ditar sentenças, encurralar quem nos ouve entre a espada e a parede, sem alternativas. Substitua "Tem de ..." por "Pode optar por...", deixando espaço ao livre-arbítrio do outro; "Isto é assim..." por "É provável que seja...". Pequenas subtilezas que retiram muita carga da mensagem, especialmente quando a notícia não é boa. Aliás, mesmo na nossa vida é necessário ter atenção a este discurso impositivo e que desrespeita o nosso livre-arbítrio, deve logo ser visto como alerta para uma pessoa manipuladora e autoritária.
Atenção ao discurso espiritual torne a conversa aberta a todas as crenças. Observo muitas mensagens transmitidas com temática espiritual, algo que se torna frequentemente incompreensível para o ouvinte ou completamente fora do contexto da consulta. Somos simples tradutores de mensagens e símbolos, não evangelizadores espirituais, padres ou pastores. Tenha em mente que nem todos sabem o que é Karma (muitas vezes nem quem emprega a palavra), Namastê é um cumprimento Yogi que não faz sentido naquele momento, Axé, Ahoô, Awen, Amén igualmente. As suas crenças, religiões ou rituais não devem ser transmitidos ao ouvinte para que ele se sinta confortável e integrado, de outra forma transmite a ideia de ser um guru evangelizando um discípulo hierarquicamente inferior. E digo-vos por experiência que é horrível esta sensação de divergência espiritual no contexto de uma simples consulta. Também não se deve usar a espiritualidade para diluir o foco da consulta com floreados e conceitos esotérico. Se a pessoa veio em busca de uma resposta para a sua situação financeira, não é conveniente conduzir o discurso para "lições de vida", "autoconhecimento" e "evolução da consciência". A sensação que isso me transmite é que a pessoa não sabendo o que há-de dizer sobre as cartas que tem à sua frente, passa o assunto para um sermão "New age".
Outro aspecto fundamental é não expressar a sua vontade ou opinião pessoal numa consulta. Tudo o que não estiver plasmado no seu oráculo, são as suas opiniões e ideias sobre o assunto, totalmente irrelevantes para a clareza da mensagem a transmitir. Julgar não é definitivamente o nosso papel, há uma tendência natural para o fazer seja para apaziguar uma má noticia ou para afagar a postura do outro. Não nos compete dar ou tirar razão a quem quer que seja ou escolher lados de uma disputa, podemos conversar sobre o assunto em análise, porém ressalvando que isto é a minha opinião pessoal, caso a queira ouvir e sempre depois da análise factual do oráculo.
Uma boa consulta é aquela em que o consultante sai melhor do que chegou mesmo que as noticias não sejam boas. Sai livre, com alternativas e com uma visão clara e objectiva sobre o assunto que o trouxe.