Branco e Negro

Tal como a sacerdotisa coloco-me entre as duas colunas do templo de Salomão Jaquin e Boaz, busco a sabedoria entre o negro e o branco, o bem e o mal, o dia e a noite, pois também eu sou parte da dualidade e não nego nenhuma das minhas partes. São dois polos opostos que não existem um sem o outro que se complementam. Sento-me em silêncio entre ambos aprendendo e observando.
É neste estado de contemplação o que verifico a enorme falsidade da humanidade, o caos em que este mundo se tornou. Mostram ser o branco mas praticam o negro, tudo faz maldades de coração puro pois a culpa é do outro, é dos astros ou do Feng Shui. Tornaram a vida numa constante busca de desculpas que justifiquem a existência do negro dentro de si próprios e infelizmente encontram-nas no âmbito espiritual em frases motivacionais e gurus ambiciosos. É tão simples olhar e retirar das entrelinhas "Eu sou o bom porque tu és mau", não porque trabalhou a consciência e ganhou algum controlo sobre a sombra, não, isso dá trabalho é muito mais simples apontar o dedo e fazer julgamentos.
Nunca fui pessoa de camuflar nenhum dos meus pilares, mostro-os de forma genuína, possivelmente por isso não tenho muitas amizades. Não sou de beijinhos de luz nem abracinhos no coração, se o momento se adequar mostro garras e digo palavrões. Admito que sou algo intolerante a essas frases feitas que se propagam que nem vírus quase sempre mostrando uma fé morta e uma exaltação do ego. Através dos olhos da sacerdotisa o que vejo são frustrações encobertas, medos recalcados, desejos de vingança e ganância. Uma forma de atrair os incautos, tal como uma lâmpada atrai mosquitos para uma teia de aranha.
Se este texto lhe tocou em algum ponto, reflicta sobre isso. Em que parte lhe causou desconforto? Porquê? O que dentro de si causou essa reacção? Não se zangue comigo, em vez disso olhe para dentro, algo na sua sombra pode necessitar de atenção. Seja honesto e verdadeiro consigo próprio, esse é o único caminho para a felicidade, não é fácil mas está lá, para quem estiver disposto a caminhar. Não faça da espiritualidade o bode expiatório do negro, mas sim um balanço verdadeiro entre os dois pilares.
Desta que hoje foi bruxa ou sacerdotisa, para todos voçês!