O comercio de baralhos piratas

Gostavam de ver os vossos trabalhos falsificados em imitações baratas e na maioria das vezes com má qualidade? Acham certo um artista que se dedicou de alma e coração a criar a sua obra não receber nenhuma recompensa pelo seu esforço? Se for a uma consulta e perceber que as cartas que são usadas na sua leitura são falsificações que impressão isso lhe passa? Um tarologo que honre a sua arte, a sua profissão, não usa baralhos contrafeitos, simples assim. Além de que é crime punível por lei comercializar esses produtos violando os direitos de autor. Uma pessoa honesta não compra artigos roubados, não alimenta negócios criminosos, mas não é tão óbvio?
O que ouço do lado dos compradores é sempre a questão do preço, os contrafeitos são mais baratos. Pois são, mas pode encontrar usados ainda mais baratos, a meu ver é melhor ter um original mesmo que usado do que um pirateado. Além de que muitas vezes os ditos "usados" são apenas abertos e nunca ou muito pouco manuseados.
Por estas razões gostariam de deixar algumas recomendações para facilitar o discernimento entre uma falsificação e um original:
- O primeiro passo será sempre consultar o produto original, ir á página do autor, perceber se o que foi lançado no mercado está de acordo com o que é oferecido.
- Dar atenção á arte gráfica, verificar diferenças de cor, definição, tamanho das imagens. Infelizmente, especialmente em vendas online, apresentam imagens de um original e quando chega verificamos que é falsificado. Para isso evitar revendedores que não sejam lojas legitimas ou procurar locais onde o autor o tenha explicitamente á venda
- Por vezes surgem versões contrafeitas em tamanhos diferentes do original, versão mini, de bolso, etc. Verifique se o autor original criou realmente essas versões.
- A qualidade do papel, uma carta que tenha transparência e um papel muito frágil é sempre de desconfiar.
- A existência do selo comprovativo de direitos de autor, se bem que por si só não é garantia.
- Se for um baralho publicado por uma editora, verificar a editora e o ISBN (International Standard Book Number) é um número de identificação internacional que permite aos editores, bibliotecários e livreiros localizar e identificar as características do produto.
- Um baralho estranhamente barato, novo, é contrafacção.
- Compras em alguns mercados online (como a Wish por exemplo) requer sempre alguma atenção extra a estes detalhes.
- Normalmente os autores nas suas páginas dão sempre a referência de onde os seus baralhos estão á venda, pesquisem um pouquinho sobre a compra que pretendem fazer.
- Atenção às traduções. Um autor tem a versão do seu baralho em que línguas? existe alguma versão original em Português? Se não, é contrafeito.
Um dia destes um dos meus autores favoritos de baralhos, Ciro Marchetti afirmou que ia desistir de fazer baralhos pois não tinha como competir com a pirataria. É isso que querem que os artistas desistam de trabalhar na sua arte porque os seus trabalhos são roubados e existe mercado para baralhos pirateados. Vamos pôr uma mão na consciência e pensar um bocadinho a quem damos o nosso dinheiro e as consequências que isso tem.
Um tarologo que compra ferramentas roubadas, certamente não prima pela honestidade.