Tarólogos

10-03-2021

Além de formadora de tarot, serei sempre uma eterna aluna, continuo a estudar e neste momento frequento uma formação de dois anos de Tarosophy. Hoje numa das aulas debatia-se o tema do profissionalismo dentro do tarot, da eficácia e formato das consultas. Assuntos importantes para quem deseja seguir uma vertente profissional.

A primeira questão que surge relaciona-se com a proliferação de consultas gratuitas ou a muito baixo custo ainda outras, tipo "brinde" de feira "Compre-me um cristal e ainda ganha uma perguntinha ao tarot totalmente gratuita". O que isto causa na arte do Tarot? Uma enorme desconsideração por quem gasta fortunas a estudar e aprimorar as suas consultas, uma queda de mercado, a diminuição de busca por formação e uma brutal diminuição de qualidade nas consultas, criando a ideia que se compra um baralho, lê-se o livrinho de significados e pronto, estou apto a dar consultas. Ora para que vou gastar dinheiro em formação? Para dar consultas gratuitas ou a 5 tostões? Se cobrar mais não tenho clientes visto que conseguem algo parecido sem investirem dinheiro.

Ser Tarólogo é ter uma profissão, não é um hobbie nem uma curiosidade. Um Tarólogo, digno deste nome investiu muito tempo e dinheiro para chegar onde está. O que acontece hoje, muito, é que os Tarologos com conhecimento sério dentro da área, desistem de dar consultas, investem mais em dar formações ou dedicarem-se à pesquisa, pois as consultas não são valorizadas, o seu trabalho não é reconhecido. Quando não são os próprios Tarólogos a dignificar a profissão, quem o fará? E para quem compreende a riqueza cultural, histórica e orientadora desta ferramenta, tudo isto é uma enorme tristeza.

Uma outra questão que veio à baila foi a deficiente capacidade de comunicação em consulta, seja a mesma presencial, online ou escrita. É necessário que haja uma aferição entre o tipo de consulta que o cliente procura e o tipo de consulta que oferecemos. Tal como os naipes do tarot, existem níveis de comunicação dentro da consulta. Por exemplo: Se o cliente procura uma solução para uma questão prática do seu quotidiano, a nossa conversa deve ser sintonizada com Ouros, o plano material da vida. Não vamos falar do seu desenvolvimento espiritual ou canalizar mensagens do anjo Gabriel, ou ainda florear tanto a resposta que muito facilmente se perde a mensagem. O nosso cliente não veio ser evangelizado espiritualmente, apenas buscar uma orientação, num assunto específico do seu dia-a-dia. Para que se crie um canal de comunicação eficaz temos de falar a mesma linguagem. Para ganhar esta aferição é importante ter feedback da consulta, algo tão simples como no final, perguntar ao cliente: que espectativas tinha para esta consulta? O que ganhou realmente com esta consulta? Além de que é necessário verificar anteriormente se o que o cliente busca é algo que eu tenha para oferecer, caso não seja, podemos sempre encaminhar para um colega que esteja mais próximo das suas pretensões. Se eu não dou consultas de adivinhação do futuro, não uso Tarot na sua vertente divinatória, não devo aceitar um cliente que pretende saber se a pandemia de Covid vai permitir ir de fárias em Agosto.

Com esta reflexão o desafio é dignificar a nossa arte, oferecendo qualidade em vez de quantidade.

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